Publicado em:08/05/2014 por Luiz Flavio Gomes
Brasilianização dos EUA (1)

Não se sabe ao certo quem lançou a tese da "brasilianização" do mundo e, particularmente, dos EUA. Muito provavelmente isso aconteceu nos Estados Unidos, na década de 90. Quais indicadores sustentariam essa tese? Arantes (2004, p. 31 e ss.) invoca, com base em contribuições de Luttwak, Michael Lind, John Gray, Robert Reich etc., um imenso rol de sinais que evidenciariam o fenômeno (ou seja: a brasilianização do primeiro império capitalista em escala global, sem pancolonialismo, ou seja, sem que tenha tido necessidade de invadir fisicamente todos os países ou uma inteira região do planeta). O destaque, dentre os indicadores, reside na desigualdade brutal gerada pelo capitalismo financeiro (desigualdade essa que é a marca registrada do Brasil).

 

A Revolução Francesa prometeu Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Não cumpriu a igualdade material nem tampouco a fraternidade. O comunismo prometeu a igualdade material, mas nem cumpriu essa promessa nem tampouco permitiu a liberdade desejada. O capitalismo selvagem e/ou extramemente desigual tem outra lógica: o crescimento da economia trará benefícios para todos. Isso se tornou uma mentira, porque o modelo neoliberal está enriquecendo poucos em detrimento da qualidade de vida da grande maioria. No horizonte do Partido dos Descontentes e Indignados só resta a defesa (utópica, mas vital) da "escandinavização" da economia em escala mundial (ou seja: promover em todo planeta a igualdade material que se alcançou em países como Noruega, Dinamarca, Suécia, Bélgica, Holanda, Nova Zelândia, Islândia etc.). Os EUA estão na contramão dessa revolução igualitária (daí o risco de perder seu título de primeira economia mundial, ainda em 2014, para a China).

 

O revolucionário livro "Capital in the Twenty-First Century" (2014), de autoria do economista francês Thomas Piketty, resenhado por Paul Krugman (Folha 26/4/14, Mercado, p. 2-5), revela não somente um novo método para calcular a concentração da riqueza como o aumento absurdo da desigualdade nos EUA (desigualdade à brasileira), desde os anos 80, cuja franja mais rica (1%) está vivendo uma nova Idade de Ouro ("Gilded Age"). O neoliberalismo se globalizou e invadiu o mundo todo, fazendo nascer sob o domínio norte-americano "o primeiro império verdadeiramente capitalista do mundo" (assim, Wood: 2014, p. 10).

Apenas manipulando os mecanismos econômicos do capitalismo, sem necessidade de invadir os territórios de todos os países do planeta ou de uma região inteira, sem declarar guerra contra todos eles, sem derramar sangue em todos eles, foi feita a maior revolução de toda história (mas se trata de um império capitalista à brasileira, porque extremamente desigual). A afirmação do economista francês T. Piketty de que a elite rica norte-americana vive nova Idade Dourada (acumulando uma riqueza impressionante) poderia parecer hiperbólica, fantasiosa (diz Krugman, Folha 26/4/14, Mercado, p. 2-5), mas não é. Antes da Primeira Guerra Mundial, o 1% mais rico dos EUA detinha 20% da renda nacional: por volta de 1950, isso caiu para metade; de 1980 para cá a desigualdade disparou e a riqueza dos mais ricos voltou para o patamar do começo do século XX. O primeiro império capitalista mundial, no entanto, está emperrado no item crescimento. Por quê? Porque sem produção não existe trabalho; sem trabalho não existe salário; sem salário (digno) não existe consumo; sem consumo não tem mercado; sem mercado não tem crescimento; sem crescimento não tem capitalismo vivo (sim, estacionário, como dizia Adam Smith).

Destaques do Wikijuris

Mestre em Direito, Mestre em Filosofia, Doutora em

Jurista e coeditor do portal atualidades do direito.com.br. Estou ao vivo no portal e TVAD.

Médico - Cirurgião Plástico, trabalha no Centro de Cirurgia Plástica & Estética Médica

Dra. Maria Isabel Pereira da Costa Advogada Sócia Diretora Graduada em Ciências Jurídicas e Sociais pela UNISINOS/RS Especialista em Direito Civil Mestre em Direito Público Graduada em Ciências Físicas e Biológicas pela UFRGS Doutoranda em Direito Público Internacional, em Lisboa Juíza de Direito aposentada Foi professora da PUCRS e da Escola Superior de Magistratura; Vice Diretora da Faculdade de Direito da PUCRS no período de 2007/2008; professora da UNISINOS/RS E ULBRA/RS; Diretora do Departamento de Assuntos Constitucionais e Legislativos da AJURIS em 2000/2001; Assessora Especial da Presidência da AJURIS em 2002/2003; Diretora do Departamento Extraordinário da Previdência dos Magistrados e Pensionistas da AJURIS; Diretora da Secretaria para assuntos previdenciários da AMB. Atualmente Vice Presidente da ANAMAGES; Diretora do Departamento de Direito Processual Civil do IARGS e segunda Tesoureira do IARGS.

Mestre em Direito Público pela Universidade do Va

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